Animação da Disney Mundo Estranho é um dos maiores fracassos do ano

O novo longa da Disney Mundo Estranho teve estreia desastrosa ao redor do mundo e deve dar um prejuízo imenso ao estúdio.

Animação da Disney Mundo Estranho é um dos maiores fracassos do ano

O novo longa da Disney Mundo Estranho teve estreia desastrosa ao redor do mundo e deve dar um prejuízo imenso ao estúdio.

Animação da Disney Mundo Estranho é um dos maiores fracassos do ano
O FLOP DO ANO
Imagem: Reprodução | Divulgação
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O reinado de Bob Chapek como CEO da Disney se encerra com um fracasso colossal: a animação Mundo Estranho.




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O filme voltado para crianças arrecadou risíveis US$ 11.9 milhões entre sexta e domingo e US$ 18.6 milhões no período de cinco dias de quarta a domingo que compreende o feriado de Dia de Ação de Graças na América do Norte. Afora Raya e o Último Dragão, que estreou em um momento bem mais complicado da pandemia, é a pior abertura para uma animação da Disney nos EUA desde o hoje esquecido O Ursinho Pooh, de 2011.

Para se ter uma ideia, a abertura do longa foi menos da metade da de Encanto, que chegou no Thanksgiving do ano passado e arrecadou US$ 40.6 milhões entre quarta e domingo. E olha que, na época em que estreou, a situação da pandemia era bem mais grave e havia menos pessoas vacinadas.


Fora do mercado doméstico, a coisa foi ainda mais feia: apenas US$ 9.2 milhões em 43 outros países (incluindo o Brasil), o que dá ao longa um total global de menos de US$ 28 milhões.

Vale ressaltar que a Disney optou por não exibir Mundo Estranho em uma série de países no Oriente Médio, bem como na Malásia, China, Indonésia, Paquistão, Turquia, Vietnã e em vários territórios africanos devido a um dos protagonistas do longa ser abertamente gay. Além disso, o desenho também não será exibido nos cinemas da França devido a disputas entre a Disney e o governo local sobre quando ele poderá chegar ao streaming (a famosa janela).


Ao todo, Mundo Estranho deve dar um prejuízo de quase US$ 150 milhões  para a Disney, segundo o Deadline.

Claro, a ideia é que o longa esteja no Disney+ o quanto antes, provavelmente ainda no Natal. Seu lançamento nos cinemas foi uma mera formalidade, uma vez que o estúdio, sob o comando de Chapek, quer mesmo é promover o seu serviço de streaming.


A aposta da Casa do Mickey no Disney+ foi tamanha que vários longas foram selecionados para ser lançados exclusivamente no streaming, incluindo animações muito mais bem recebidas pela crítica do que Mundo Estranho, como Soul, Luca e Red: Crescer é uma Fera. O próprio Encanto teve uma performance fraca (ainda que infinitamente melhor que a de Mundo Estranho) nos cinemas, que só serviram para anunciar sua chegada ao Disney+.

Então isso significa que, se tais filmes tivessem recebido lançamentos tradicionais, teriam tido bons desempenhos nos cinemas? Talvez não, pois aqui entramos em outro ponto, mais complexo, da discussão: desde meados da década passada, Hollywood tem sido incapaz de lançar animações originais tão bem sucedidas nas bilheterias quanto as pertencentes a franquias já estabelecidas.


Animações da Disney e Pixar como Soul, Luca e Red foram lançados diretamente no streaming e não nos cinemas na maior parte do mundo.

Até 2017, os estúdios lançaram longas originais de sucesso como Divertida Mente (US$ 858 milhões na bilheteria global), Zootopia (US$ 1.024 bilhão), Pets: A Vida Secreta dos Bichos (US$ 875 milhões), Moana: Um Mar de Aventuras (US$ 643 milhões), Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (US$ 634 milhões), O Poderoso Chefinho (US$ 528 milhões) e Viva: A Vida é uma Festa (US$ 808 milhões), capazes de competir de igual para igual com sequências e spin-offs.

Porém, nos últimos quatro anos algumas coisas aconteceram que mudaram totalmente o cenário das animações infantis hollywoodianas. Em primeiro lugar, em 2018 e 2019 quase todas os desenhos de sucesso foram continuações: Os Incríveis 2 (US$ 1.24 bilhão), Hotel Transilvânia 3 (US$ 528 milhões), WiFi Ralph: Quebrando a Internet (US$ 529 milhões), Como Treinar o seu Dragão 3 (US$ 521 milhões), Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2 (US$ 431 milhões), Toy Story 4 (US$ 1.073 bilhão) e Frozen II (US$ 1.45 bilhão). O Rei Leão (US$ 1.656 bilhão) pode não ser uma continuação, mas por ser um remake, ele absolutamente pertence à esta lista.

Nesses dois anos, as únicas animações comparativamente bem sucedidas que não eram sequências também eram ligadas a franquias mais ou menos reconhecíveis pelo público: O Grinch (US$ 531 milhões), Homem-Aranha no Aranhaverso (US$ 375 milhões) e A Família Addams (US$ 203 milhões).

Com tantas animações conectadas a franquias sendo lançadas em tão pouco tempo, o público familiar se desacostumou de assistir histórias originais na telona da mesma forma que costumava ocorrer até poucos anos antes. Ainda assim, após inúmeras sequências e adaptações, Hollywood parecia que voltaria a apostar em ideias originais em 2020, ano que traria as estreias de Soul, Dois Irmãos, entre outros.

Porém, a pandemia atrapalhou esses planos, e os filmes para toda a família foram atingidos de uma maneira ainda mais profunda pelo coronavírus. Durante os momentos mais graves da pandemia, e mesmo depois, os estúdios decidiram lançar vários de seus filmes para crianças diretamente no streaming, ou em estreias simultâneas nos cinemas e em casa. E assim as audiências para este tipo de filme se acostumaram a ver em casa os novos lançamentos.

Quando ir aos cinemas ficou mais seguro, quais filmes o público familiar optou por assistir na telona? Sequências como Sing 2, Sonic 2 e Minions 2. Pais com crianças passaram a ir ao cinema apenas para assistir continuações e qualquer outro filme não conectado a franquias famosas vai ter que esperar chegar ao streaming. Afinal, Hollywood os acostumou assim nos últimos anos.

É um problema que eles precisam resolver com urgência se não quiserem passar a depender da mesma dúzia de franquias para ter sucesso nos cinemas. É bom os estúdios lembrarem que, para que sequências bilionárias cheguem às salas, primeiro é preciso de uma “parte 1” bem sucedida.

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