20 anos de sucessos na bilheteria brasileira – Ano 2005

20 anos de sucessos na bilheteria brasileira – Ano 2005

Enquanto os cinemas estão fechados graças à epidemia de COVID-19, que tal olharmos para trás? Nesta série de matérias especiais, vamos conhecer os filmes que levaram multidões aos cinemas...

Tiago Vieira - 11 de maio de 2020
 20 anos de sucessos na bilheteria brasileira – Ano 2005

Enquanto os cinemas estão fechados graças à epidemia de COVID-19, que tal olharmos para trás? Nesta série de matérias especiais, vamos conhecer os filmes que levaram multidões aos cinemas brasileiros durante quase duas décadas nas bilheterias brasileiras.

Cada parte da matéria trará as 10 maiores bilheterias de cada ano do século, com uma análise em separado sobre suas performances, além das maiores aberturas, entre outros temas muito interessantes!

Leia aqui sobre as maiores bilheterias dos anos 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, e conheça agora as maiores de 2005:

Maiores bilheterias em 2005:

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Nome do filme

Data de estreia

Nº de ingressos vendidos

Faturamento (em R$)

1

Dois Filhos de Francisco

19/08/2005

5.317.949

36.728.278

2

Harry Potter e o Cálice de Fogo

25/11/2005

4.616.625

30.332.796

3

Madagascar

24/06/2005

4.347.608

27.922.174

4

Quarteto Fantástico

07/07/2005

2.860.458

19.096.382

5

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa

09/12/2005

2.726.150

19.149.236

6

Guerra dos Mundos

29/06/2005

2.667.191

19.069.746

7

Constantine

11/03/2005

2.499.894

18.173.397

8

Batman Begins

17/06/2005

2.360.521

17.350.403

9

Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith

20/05/2005

2.356.047

18.020.685

10

Cruzada

06/05/2005

2.323.009

17.262.744

Em 2005, o grande campeão de bilheterias daquele ano em nosso país foi nacional. Dois Filhos de Francisco, o drama sertanejo que conta a história da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, estreou de maneira humilde, levando apenas 265 mil espectadores em seu primeiro fim de semana. Mas, tal como os cantores, o longa aos poucos foi conquistando o público e fazendo um sucesso cada vez maior. No fim das contas, com mais de 5 milhões de pessoas no cinema, este clássico nacional tornou-se o filme brasileiro mais assistido nos cinemas desde o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, durante o auge dos Trapalhões e dos dramas eróticos como Dona Flor e seus Dois Maridos.

Aliás, em sua época, Dois Filhos de Francisco foi nada menos que o quinto maior público para um filme brasileiro (até onde se existem dados confiáveis, é preciso dizer). À sua frente, estavam apenas o citado Dona Flor e seus Dois Maridos (que vendeu mais de 10 milhões de ingressos em 1975), A Dama do Lotação (6,5 milhões em 1978), Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão (5,72 milhões em 1977) e Lúcio Flávio: O Passageiro da Agonia (5,4 milhões em 1977).

Era o cinema brasileiro se tornando pop novamente uma década e meia após o fim da Embrafilme quase ter assassinado de vez o filme nacional.

Porém, da segunda posição em diante, apenas blockbusters americanos mais tradicionais. O segundo colocado daquele ano foi Harry Potter e o Cálice de Fogo, que recuperou a franquia após os relativamente fracos resultados do terceiro filme, e levou mais de 4,6 milhões de pessoas aos cinemas durante o final daquele ano. Foi o maior público para o garoto bruxo até aquele ponto, superando com facilidade os 4,5 milhões de ingressos vendidos por A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta.

Em terceiro lugar, Madagascar manteve o bom momento da DreamWorks após os ótimos resultados de Shrek 2 no ano anterior. Com 4,3 milhões de ingressos vendidos, a aventura na África do leão Marty e seus amigos tornou-se o quarto maior público para uma animação, superando por pouco Os Incríveis.

O longa seguinte foi uma aventura da Marvel. Se, naquela época, a moda era filmes de heróis repletos de drama e emoção (Homem-Aranha), subtextos psicológicos (Hulk), metáforas sociais (X-Men) e tons sombrios (Demolidor), a aventura lançada naquele ano Quarteto Fantástico deixou todo o dramatismo de fora, e buscou ser apenas uma aventura para toda a família – uma típica Sessão da Tarde, por assim dizer.

Para a crítica, o resultado foi um desastre: média de apenas 40 no Metacritic. Nas bilheterias, porém, o público compareceu de maneira decente. Aqui no Brasil, o longa ficou bem atrás das aventuras do Homem-Aranha e mesmo do segundo X-Men, porém bem à frente de Hulk, Demolidor ou qualquer outro filme menor da Marvel da época. Aliás, Quarteto foi o filme das férias de julho daquele ano, evidenciando a preferência do espectador brasileiro por super-heróis que apenas começava a tomar forma.

Em 2005, os espectadores estavam famintos por fantasia nas telonas. O Senhor dos Anéis havia se encerrado alguns anos antes, e a Disney se preparava para lançar a franquia que prometia substituir a oscarizada trilogia de Peter Jackson: As Crônicas de Nárnia. Nos EUA, a bilheteria do primeiro longa, intitulado O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, superou (por pouco) a de O Cálice de Fogo, um feito incrível considerando que o filme ironicamente competia com o novo blockbuster de Jackson (King Kong), porém ficou atrás dos três O Senhor dos Anéis.

Entretanto, aqui no Brasil o público não embarcou muito na primeira viagem para a terra fantástica criada por C.S. Lewis. Com apenas 2,72 milhões de espectadores, o primeiro Nárnia teve público abaixo de qualquer Harry Potter ou Senhor dos Anéis. A Disney até tentaria de novo três anos depois, mas o fato é que Nárnia tornou-se mais uma das tentativas falhas dos anos 2000 de emular o sucesso do bruxinho de J.K. Rowling e dos guerreiros da Terra-Média (vide também Eragon, A Bússola de Ouro, Os Seis Signos da Luz, Percy Jackson e o Ladrão de Raios… dá para encher uma página inteira só com esse tipo de filme!).

Um dos cineastas de maior bilheteria da história teve um bom ano em 2005. Como de costume para Steven Spielberg, naquele ano ele lançou um drama de temática relevante (Munique) e um blockbuster de ação mais tradicional: Guerra dos Mundos. Claro, a ficção científica estrelada por Tom Cruise era mais violenta, adulta e sombria do que qualquer Jurassic Park ou Indiana Jones, e refletia as ansiedades norte-americanas pós-11 de Setembro tão comuns na época. Talvez por conta disso seu público aqui no Brasil foi de apenas 2,66 milhões de pessoas, um número que poderia ser melhor se o longa tivesse tido mais buzz.

Você sabia que, aqui no Brasil, o maior filme da DC em 2005 não foi Batman Begins? Na verdade, Constantine (baseado nos quadrinhos da Vertigo publicado pela editora), lançado alguns meses antes do início da trilogia do Cavaleiro das Trevas, vendeu cerca de 140 mil ingressos a mais do que Begins por aqui. Talvez devido ao fato do longa estrelado por Keanu Reeves como o detetive do oculto combinar super-heroísmo com iconografia religiosa, tão relevante em um país onde o cristianismo é tão forte como no Brasil.

Falando nisso, Batman Begins por aqui ficou em oitavo lugar. Oito anos após o fiasco Batman e Robin, o público foi pego de surpresa por essa adaptação mais séria do Cavaleiro das Trevas. Justa ou injustamente, foi este filme que provocou em Hollywood a ansiedade de dar abordagens mais adultas a personagens de quadrinhos, embora o diretor Christopher Nolan, tido como o criador do “filme de super-herói sombrio e realista”, tenha feito o filme com crianças em mente, imaginando-o como o longa que ele próprio aos 11 anos de idade gostaria de ter assistido.

Ainda sobre filmes sombrios, o (até então) último capítulo de Star Wars, A Vingança dos Sith, estreou naquele ano, e foi ansiosamente aguardado por diversas pessoas nos Estados Unidos (onde foi a maior bilheteria daquele ano). Aqui no Brasil, porém, o Episódio III ficou apenas num humilde nono lugar. Tendo levado 2,35 milhões de pessoas aos cinemas, foi um público maior que o de Ataque dos Clones (2,09 milhões), porém abaixo do de A Ameaça Fantasma (3,46 milhões de pessoas, segundo maior público de 1999) e de Uma Nova Esperança (4,5 milhões em 1978). Os dados de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi por aqui são desconhecidos.

Completando o top 10 daquele ano, temos um dos filmes mais ambiciosos de 2005: com Cruzada, o diretor Ridley Scott quis fazer uma versão moderna dos gigantescos épicos dos anos 1950 e 1960, desta vez abordando as Cruzadas sob um olhar moderno. Infelizmente, aqui no Brasil, os números do longa não foram grande coisa, abaixo dos de Tróia e Gladiador (o que é triste considerando que haviam mais salas de cinema disponíveis em 2005 do que em 2000).

Maior fim de semana de abertura do ano: Harry Potter e o Cálice de Fogo, com 1,13 milhão de espectadores. Na época, esta foi a terceira maior abertura da história e o terceiro longa a vender mais de 1 milhão de ingressos em apenas um fim de semana, atrás apenas dos dois Homem-Aranha de Sam Raimi. O público realmente estava com saudade do bruxinho um ano e meio após seu último filme!

Número de salas de cinema naquele ano: 2.045

Público total: 93,6 milhões de ingressos vendidos

Média por sala: 45.772

Após a crescente no ano anterior, o número de salas aumentou novamente e, naquele ano, ultrapassamos as 2 mil salas pela primeira vez desde 1981 (!). Entretanto, a seleção de blockbusters daquele ano foi bem mais fraca do que vinha sendo até então. Para se ter uma ideia, o quarto colocado em 2005, Quarteto Fantástico, nem sequer entraria no top 10 de 2004. Graças à uma seleção de longas mais fraca do que de costume, houve uma queda de 20% no número de ingressos em comparação com o ano anterior.

As bilheterias nacionais adentravam uma era sombria de quedas ano a ano que durariam até o fim daquela década. Mas isso é assunto para os próximos artigos!

Fonte: FilmeB