[CRÍTICA] Reboot de Resident Evil não é salvo nem pelo fanservice

Confira a crítica de Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City do Legado Plus - legadoplus

Finalmente, os fãs de Resident Evil puderam conferir o reboot da franquia nos cinemas. Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City chegou com a intenção de entregar para os mais apaixonados a ideia de um filme semelhante aos jogos, com a mesma vibe, a mesma ambientação e personagens que já conhecíamos.

Entretanto, não é bem isso que o filme entrega. Ele, literalmente, se pendura e se segura em fanservice exagerado, para fazer o fã se sentir no mesmo universo do jogos. Porém, é apenas isso, porque nem mesmo momentos icônicos dos jogos que estão presentes no longa consegue fazer com que o fã sinta parte do universo que aprendeu a amar.

Confira agora a crítica de Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City sem spoilers.

A ideia era trazer o mundo dos jogos para as telonas

Quando anunciaram que Resident Evil iria ganhar o seu reboot e as imagens começaram a circular na internet, os fãs praticamente se ajoelharam e agradeceram aos céus. É claro que o sonho de quem se apaixonou pela franquia de jogos era ver um filme ambientado da mesma forma e esse filme era uma esperança.

Porém, mesmo que ele traga elementos dos jogos, muitas referências, não passa disso. Johannes Roberts entendeu que o público queria referências e easter eggs, talvez tenha sido por isso que ele se jogou de vez nessa ideia. Entretanto, não funciona. Porque a história chega a ser uma bagunça, que o fã que acompanha desde o começo, olha isso e pensa se tal coisa não era para ter acontecido em outro plano e não naquele.

Não é preciso nem falar que Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City se jogou de cabeça em cenários, detalhes mínimos (como as chaves que encontramos na delegacia em Resident Evil 2) e personagens que todo mundo abraçou. Porém, empenhado em dar novas origens para cada um do núcleo, isso acaba se perdendo e deixando tudo muito mais confuso do que o normal.

Para quem está conhecendo a franquia pelo filme, não parece ser um problema. Mas para aquele fã fiel, chega a ser um absurdo ver isso em tela. Além disso, Roberts usa de plano de fundo uma ideia de terror, desespero, angústia, para fazer a gente se sentir dentro do filme, como se estivesse em Raccoon City. Mas, alguns momentos é tão previsível que você sabe até quem vai morrer primeiro.

Os personagens em Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City

E já que o foco eram os personagens, precisamos dizer que se o público reclamou da descaracterização física de Leon S. Kennedy, esqueça completamente o personagem. Em Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, decidiram uma boa ideia colocá-lo como o alívio cômico da história. Então se você se recorda de um Leon quieto, inteligente, sagaz, pode esquecer. Porque esse Leon do filme é uma pessoa boba, atrapalhada e que parece viver no mundo da Lua.

Claire Redfield pode ter chamado a atenção por sua caracterização mais fiel, porém é outra que teve a origem mudada para caber dentro do longa. Enquanto Chris Redfield está para um cara turrão, cabeça dura, que não sabe de nada, a irmã é quem sabe de tudo e diz que precisa deter a Umbrella Corporation. Além disso, ela parece saber como fazer exatamente tudo, desde manusear uma arma até os segredos mais obscuros da trama.

Brad Vickers não tem tanta relevância, mas é lembrado, assim como nos jogos. Já Wesker e Jill Valentine têm um lance amoroso (sim, você não leu errado). Apesar de ficar aquela tensão no ar, isso não chega a desenvolver 100% e só é descoberto por simples falas de personagens.

Para aqueles que conhece, acompanha e vive desde o início Resident Evil, assistir a esse filme será uma verdadeira tortura. Acompanhada de alguns momentos que dá para rir, mas não se salva e só traz um reboot que será logo esquecido pelos fãs que almejavam tanto alguma coisa mais próxima dos games.

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Sinceramente, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City não é um filme que valha a pena perder o tempo indo ao cinema para ver. A não ser que você queira ver zumbis, Lisa Trevor, Licker (que infelizmente só apareceu um) e as referências aos jogos. Porque de resto, não vale nem um pouco a pena.

O filme é morno, mesmo se passando dentro dos jogos, se destoa completamente dele por mudanças tão simples, mas bruscas. Você acompanha duas histórias em uma, a Mansão Spencer e a Delegacia de Raccoon City. Mas é tão aleatório, que não cativa, só faz você pedir pelo fim logo.

Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City estreou no dia 02 de dezembro e está em cartaz.

Jornalista, apaixonada por cultura pop, fã de quadrinhos, alucinada por séries. Fiz do meu amor profissão e hoje sigo escrevendo sobre aquilo que eu mais amo. Adoro um bom filme de terror, mas no fim, fico mais assustada que todo mundo no grupo.
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